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Telefones celulares - uma invenção de 1910
Pelo menos a idéia de um telefone que pudesse ser carregado de um lado para outro já populava o imaginário, tanto que em 20 de fevereiro de 1910 o jornal americano Whashintong Post publicou um artigo sobre o “telefone sem fio”. Na ilustração há um homem carregando um telefone debaixo do braço, naquela época as pessoas não imaginavam que tamanho faz parte do sucesso dos portáteis, se quiser ler no original clique na foto ou vá no site Paleo-Future onde há uma transcrição em inglés.
Os telefones sem fio deixarão a vida mais fácil daquele apaixonado tímido que não tem coragem de se declarar a sua namorada cara-a-cara.
A idéia é até boa, mas o que eles não previram é que tornaria-se uma enorme falta de hombridade fazer esse tipo de coisa. Mas tem coisas piores como dar fora por telefone ou por email.
Ele não podia ter usado o telefone comum? E o medo de escutar as risadas da telefonista na central. Porém, linhas cruzadas podem cruzá-lo com seu amor.
Ele não está seguro com o velho telefone - por usar seu pensamento antiquado. Alguém pode cortar a ligação. Alguém também pode cortá-lo e com isso esquecê-lo (um jogo de palavras com cortar a linha e cortar a relação amorosa, cut and cut him out)
Para isso há o telefone sem fio. Pois se não houver um telefone por perto, o seu estará com você.
E você acha necessário amarrar um telefone sem fio a uma alta torre de metal para conseguir resultado? Claro que não, o Sr. Pickerill usa um guarda-chuva. Ele diz que se você é supersticioso demais para abrir um guarda-chuva dentro de casa - para o telefone sem fio poder ser usado com um ráio de várias milhas - você pode conectar o telefone a uma maquina de escrever, a uma cama de metal, a máquina de costura, a escotilha de carvão, ao radiador, no fogão da cozinha ou a tubulação de gás - ele não se importa - e faça a chamada para o seu verdadeiro amor.
Esposas podem chamar seus maridos no serviço, no caminho para o Harlen, nos subúrbios, no carro e dizer: “pare no açougue da esquina e compre fígado e bacon”. É o dia que somente as garotas sem e você sabe como e onde ela está.
Para falar a verdade, o estilo atual de telefones é usado majoritariamente pelos casais apaixonados. Depois do casamento, os problemas começam: picuinhas com dinheiro, a falta de telefonemas avisando que chegará tarde ou que ficará com um amigo que está doente.
“Quando nós namorávamos você me ligava dezena de vezes por dia simplesmente para me perguntar se eu ainda amava você”. Ela irá chorar e continuará “se a central disse-se que estava ocupado você ficaria com ciúmes e me acusaria de ter outros ligando para mim. Se dissesem que não conseguiam a ligação você escreveria para o escritório central reclamando, mas agora você nem me avisa que não virá para casa.”
Pelo menos eles deduziram de forma certa que as mulheres continuariam reclamando que os homens não ligam.
Os namorados devem ter certeza que seus telefones sem fio estão tão bem sintonizados quanto seus pensamentos. As companhias de telégrafos estão apelando para o Governo para supervisionar o envio de mensagens por que agora um bando de amadores as colocará nas ondas de Hertz.
Então, se os amantes não estiverem sintonizados a garota errada pode receber seu pedido de casamento pelo telefone sem fio.
Um aviso para os homens casados: não importe-se se sua esposa falar brava “não quero saber, eu sei que você me escutou. Eu telefonei o dia todo e seu telefone sem fio estava em perfeita condição quando você o colocou em seu chapéu esta manhã antes de sair de casa.”
Aja com surpresa e diga: “não fique brava querida, Eu esqueci de tirar meus protetores auriculares e eu os usei o dia todo”.
Por que será que eles deram tanta ênfase de que a mulher usaria o “telefone sem fio” como uma forma de rádio-patroa?